No texto as autoras discutem sobre a importância de se unir teoria e prática para a formação, além de professores reflexivos de sua prática, professores pesquisadores da realidade na qual se inserem.Primeiramente colocam que até bem pouco tempo,a pesquisa era vista como uma fundamentação teórica construída somente no espaço acadêmico. Mas atualmente a ideia de um profissional pesquisador vem se disseminando em diversos campos do trabalho, dentre eles, na prática do professor, na área da educação.
Segundo as autoras, para que o professor se torne um professor pesquisador, ele não deve apenas ser um consumidor passivo do conhecimento produzido pelos pesquisadores acadêmicos,mas sim ser um pesquisador que tenha como ponto de partida e como finalidade a sua própria prática,ou seja,estar atento à leitura das sinalizações do cotidiano em sala de aula.
As autoras dizem também que muitos professores alegam que a superação da dicotomia entre o fazer e o pensar é difícil,pois esses profissionais, que vivem o cotidiano da escola, não se reconhecem nos textos teóricos, e quem teoriza deve estar atento para não se abstrair da realidade da mesma.
Como destacam as autoras,o professor pesquisador não deve entender a pesquisa como sendo um fim, mas pode ser a conseqüência de um fazer em que o individuo faz e coloca questões. Desta forma, pesquisar pode se dá a partir de um questionamento, de uma pergunta,de uma ideia fixa,articuladora de um processo empírico-teórico de uma investigação.
E é nesse questionamento que está toda a centralidade do processo de formação do professor pesquisador,pois é esse processo de questionar que leva o profissional a um “fazer pensado”, em vez de meros executores do pensado por outrem. Atualmente há um esforço crescente para fazer com que os futuros professores saiam da universidade com a formação de um profissional pesquisador, mas ainda hoje nos cursos de graduação de Pedagogia são dadas as disciplinas teóricas(ligadas ao saber), as disciplinas ligadas à prática (saber fazer) e por último o estágio (momento de busca de articulação entre teoria e prática). O que dificulta o diálogo entre teoria e prática, já que ocupam lugares diferentes.
Para as autoras a formação do professor pesquisador propõe uma inversão deste movimento (na grade curricular do curso de Pedagogia), pois há a compreensão de que o profissional precisa organizar sua ação a partir da articulação prática - teoria-prática. E para que isso aconteça é fundamental,portanto,que o professor se instrumentalize para observar, questionar e redimensionar seu cotidiano.
Assim a prática é o ponto de partida, pois dela emergem as questões, as necessidades e as possibilidades, ou seja, a prática esboça os caminhos a percorrer. E a prática também é a finalidade da teoria,porque é de la que os problemas são formulados em outras palavras, parte-se da prática para voltar a ela.
As autoras concluem afirmando que, na prática do professor pesquisador,a dicotomia entre o fazer e o pensar é substituída pela percepção da complexidade do processo pedagógico. O professor assume como função pensar e fazer coletivamente o cotidiano escolar, pois no coletivo fica garantida a pluralidade de idéias e caminhos,estimulando um olhar mais critico para a realidade e a ajuda a formular alternativas viáveis de transformação do real.
Em fim este texto nos leva a refletir sobre a importância do profissional pesquisador não só na área educacional, mas em qualquer outro campo. O momento da reflexão é importante para que se aprenda a olhar para a prática,desde o momento da elaboração de uma atividade até a sua aplicação e finalização, e exteriorizá-la para o grupo admitindo o que deu certo ou não, e chegando a conclusões conjuntas.
Maria Tereza Steban e Edwiges Zaccur
Referência:
ESTEBAN, Maria e Tereza e ZACCUR (orgs). Professor Pesquisador: Uma Prática em Construção. Rio de Janeiro: Editora DPIA, 2002
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